Homem diz a juiz que agrediu ex antes de matá-la enforcada: ‘passei a corda quando tava desacordada’

O agricultor Adriano de Souza Silva, de 36 anos, contou ao juiz do Fórum de Jaru (RO) que agrediu a ex-esposa antes de matá-la enforcada: “ela estava desacordada quando passei a corda no pescoço”. A declaração foi durante julgamento na quinta-feira (13), que terminou com Adriano sendo condenado a 13 anos e seis meses de prisão.

Keila dos Santos foi morta em 2017, na casa onde morava, em Governador Jorge Teixeira. À época, o suspeito confessou o crime aos policiais. Na quinta-feira, Adriano relatou, diante do público, detalhes do dia do crime.

Veja, abaixo, as declarações de Adriano ao juiz Alencar das Neves Brilhante:

Juiz lendo o processo: Apurou-se que o denunciado, inconformado com a separação, tentava reatar o relacionamento. Ocorre, porém, que a vítima estava irredutível, assim, ante a negativa, viu-se ele o direito de tirar a vida de Keila, fútil portanto. Ademais, conforme consta no laudo tanatoscópico [folhas 28 e 29], a causa da morte de Keyla foi por asfixia, em razão de fratura do pescoço. Outrossim, pode-se identificar que Adriano desferiu golpes na cabeça da vítima o que fez com que ela desmaiasse.

Adriano responde o juiz sobre o dia do crime: Fui pegar os papéis [na casa da Keila] para pagar o IPTU da casa. Ela me chamou para dentro e me perguntou: ‘cadê o dinheiro?’. Eu disse que não tinha o dinheiro, aí ela me agrediu, me deu um tapa na cara e pulou em mim. Eu mandei ela parar, mas ela não parou e eu lasquei o braço nela. Foi isso. Aí eu saí, vim na cozinha, busquei um pedaço de corda, voltei, mexi com ela e nada. Dai amarrei ela.

Juiz: O senhor falou que ela agrediu o senhor. Como foi isso?

Adriano: Ela me deu um tapa na cara, eu fiquei zonzo com aquele tapa. Segurei ela pelo braço, pedi para ela parar e ela não parou, aí lasquei o braço nela.

Juiz: Esse lascar o braço que o senhor diz é dar um soco nela?

Adriano: Dei um soco nela. Foi um soco só e ela caiu. Não sei se ela bateu a cabeça ou não [silêncio], não mexia e nem nada.

Juiz: O que o senhor fez depois?

Adriano: Fui na cozinha, lavei a mão e avistei o pedaço de corda no chão. Voltei [no cômodo], olhei e não tinha reação nenhuma dela,. Fui e amarrei ela.

Juiz: Pelo que consta aqui, ela foi encontrada amarrada lá no local dos fatos e com a corda no pescoço. O senhor enforcou ela primeiro no chão e colocou lá no local? Como foi isso, exatamente?

Adriano: Passei a corda e pendurei ela.

Juiz: Passou a corda e pendurou, entendi. Nesse momento, enquanto o senhor passava a corda nela, ela esboçava reação? Ou estava desacordada?

Adriano: Não senhor, tava desacordada.

Juiz fala sobre as lesões na vítima e pergunta: Essas lesões o senhor sabe identificar como que foi? Se foi pelo soco, se foi pela queda?

Adriano: Foi pela queda, eu só dei um soco nela.

Juiz: Consta aqui que tinha sangue na parede, sangue no colchão…

Adriano: Não vi se tem sangue senhor, pois eu saí de si, eu perdi a cabeça na hora que ela me bateu.

Juiz: Relacionamento que o senhor manteve com ela foi por quanto tempo?

Adriano: Nós vivemos nove anos. Conheci ela em 2009.

Juiz: O fato aconteceu em 23 de agosto de 2017 nessa data os senhores estavam separados?

Adriano: Sim, senhor.

Juiz: Se separaram quando?

Adriano: Em janeiro de 2017

Juiz: Essa separação foi por qual razão?

Adriano: Não sei. Ela viajou, voltou e pediu a separação. Não sei o problema, qual o motivo. Ela não deu explicação não.

Juiz: Foi mencionando aqui hoje que o senhor não concordava com essa separação, isso é verdade mesmo ou não?

Adriano: Não tinha nada haver com ela mais. Só falei com ela que ela podia ficar com quem ela quisesse, mas não perto das minhas filhas, na casa dela.

Juiz: O senhor proibia ela de receber os namorados, companheiros dela lá na casa?

Crime em 2017

 

A vítima, Keila dos Santos, foi encontrada morta pela própria filha, com o corpo pendurado por uma corda. Ao chegar na casa, os policiais notaram que a vítima apresentava lesões no corpo e tinha marcas de sangue no rosto. Também havia sangue em um móvel e parede do imóvel.

Adriano foi até a casa depois do crime e confessou, aos policiais, que matou a ex-mulher em uma discussão.

A perícia feita no corpo da vítima revelou que o agricultor desferiu dois socos na cabeça da vítima, que caiu desmaiada. Em seguida, ele pegou uma corda e amarrou no telhado para pendurar no pescoço da mulher e asfixiá-la.

Fonte: G1

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